FRATERNIDADE LEIGA DE S. DOMINGOS NO PORTO

Dezembro 30, 2007

Assembleia Intercalar em Fátima

Filed under: Actividades — Gabriel Silva @ 4:10 pm


Realizou-se nos dias 10 e 11 de Novembro passado a Assembleia Intercalar das Fraternidades Leigas Dominicanas, em Fátima, na casa das Irmãs Dominicanas. Fizeram-se representar nesta assembleia as fraternidades de Avanca, Pinheiro da Bemposta, Pico de Regalados, Porto, Elvas, Fátima, Grijó, Parede, S. Domingos de Benfica, e S. Tomás de Aquino (Lisboa). Não tendo estado presentes, as fraternidades dos Açores e de Estremoz e o núcleo de Idanha mandaram mensagens pelo Conselho Nacional, justificando as suas ausências e desejando votos de bom trabalho à Assembleia.
O tema que serviu de base aos trabalhos foi: “ Leigos Dominicanos da Província Portuguesa: Companheiros da pregação para a missão apostólica. Desafios e necessidades presentes e futuras”. Afim de enriquecer as reflexões da assembleia, foram convidados a intervir : Frei José Nunes, o.p., prior provincial dos frades; Irmã Maria Domingos, o.p., superiora das monjas do Mosteiro de Santa Maria do Lumiar; José Carlos Gomes da Costa, o .p., leigo Dominicano das fraternidades leigas em Vila Real; Gabriel Silva, o.p. , leigo Dominicano das fraternidades leigas no Porto. O tempo disponível para os trabalhos era curto (apenas dispunhamos da tarde e noite de sábado e da manhã de domingo) perante tantas intervenções, mas a assembleia mostrou-se sempre pronta a escutar, ripostar e propor moções. De facto, o ambiente criado foi extremamente vivo, o que se traduziu na aprovação de diversas moções apresentadas por vários participantes à mesa da Assembleia, respondendo assim ao apelo do nosso Presidente provincial, Francisco Piçarra. De um modo geral, quase todas as moções reflectiam necessidades na área da formação dos leigos, propondo,por exemplo, a realização de dias de estudo, tendo em vista a pregação.
Para que tudo isto fosse possível, muito contribuiram as intervenções dos convidados , de que a seguir faremos notícia.

GABRIEL SILVA
Em primeiro lugar interveio o Gabriel Silva, dando conta da sua participação na Assembleia Mundial dos leigos dominicanos, realizada em Buenos Aires, Argentina, em Março de 2007.
Começou por traçar uma panorâmica da organização do Laicado a nível mundial e das suas dificuldades.
Destacou o facto de que a própria realização do congresso mostra o vigor do Laicado a nível mundial.
Realçou o apoio dado pela Província Argentina para a sua realização.
Verificou-se a presença de 56 províncias, o que revela a importância com que os leigos encaram o evento.
Transcrevem-se, pela sua importância, as conclusões:
1) Pregação e oração
Realizar um processo sistemático de escuta aos grupos que existem em nosso redor e realizar um plano operacional de pregação e pastoral a eles dirigidos;
Viver criativamente o nosso carisma laical e dominicano, fazendo uso das novas formas de comunicação;
Criar grupos que possam transmitir e inovar a tradição de oração da Ordem, nomeadamente a oração comunitária;
2) Estudo e formação
Que cada Província tenha um programa de formação escrito e operacional, desenvolvido pelos leigos dominicanos;
Que o programa contenha os ensinamentos referentes á essência da fé católica, espiritualidade dominicana, os 4 pilares da vida dominicana, a vida de S. Domingos e santos da Ordem, a Regra e o Directório, a escritura e os símbolos dominicanos;
3) Governo: Regra e estatutos
Recomenda-se que por intermédio de Declarações Gerais se utilize comummente a designação de Fraternidades Leigas de São Domingos;

que se utilize normalmente o termo «promessa« para o compromisso temporal ou perpétuo de cada leigo; que o termo «preside» (regra 20 a), se refere no sentido genérico e não executivo;

que o Promotor Provincial, onde se refere «irmão/irmã» seja entendido como incluindo monjas e leigos; e que o mesmo Promotor Provincial não tenha direito de voto; que o Promotor local/assistente religioso, onde se diz

«irmão/irmã» seja entendido como podendo incluir as monjas e os leigos,
Demissão: quando um leigo deseje ser dispensado das suas promessas, deverá apresentar o seu pedido ao Conselho local, e este levará o caso ao Prior Provincial, que decidirá;
Exclusão: Que o Prior Provincial, a pedido do Conselho da Fraternidade tem autoridade para demitir os membros leigos em caso de não comunhão com a Igreja e escândalo público, garantindo-se o direito de defesa e apelo para o Mestre Geral;
Aprovaram-se os estatutos do Conselho Internacional dos Leigos Dominicanos, com alterações, as quais serão incluídas em redacção final pelo IECDLF;
4) Organização e Estrutura
Propôs-se a adopção de uma terminologia comum, nomeadamente:
«leigo dominicano», como os leigos membros da Ordem, sendo que o termo «dominicano« designa o que somos e o termo «leigo« o tipo de dominicano;
«OP» como a designação para todos os dominicanos professos;
«comunidade» como o nome dos nossos, grupos, expressando o desejo de vida fraterna entre irmãos e irmãs;
«grupo» para as comunidades em formação;
«concelhos» para as estruturas de governo;
«promotor provincial« como o frade, irmã, leigo que é o elo de ligação entre os leigos dominicanos e os outros ramos da Ordem;
«assistente religioso» como o dominicano, frade, irmã, leigo ou outra pessoa, aprovado pelo prior provincial que servirá como apoio da comunidade leiga dominicana;
«presidente« como o líder leito da comunidade, presidente é o termo utilizado na versão latina da Regra e descreve correctamente o seu papel;
Estar abertos a todos quantos não podem, por razões pessoais, fazer as promessas e ser membros integrais da Ordem, para que possam participar em diferentes formas na vida das comunidades locais;
As comunidades leigas dominicanas deverão apreciar e saudar os novos grupos de leigos dominicanos por forma a partilhar e ser mais frutífera a nossa vocação comum de pregadores;
Que se utilize a Internet como forma de pregação e que seja criado uma comissão internacional para realizar o inventário de todos os recursos já disponíveis para os interligar e disponibilizar a toda a família Dominicana;
5) Finanças e Economia
Incluir uma secção especial sobre economia e finanças nos Estatutos do Conselho Internacional;
Que seja criado um Secretariado permanente dos leigos dominicanos em Roma, com a contratação de um/a secretário/a;
Que o ICDLF seja suportado e apoiado financeiramente por cada irmão/irmã de cada comunidade leiga;
As contribuições anuais serão fixadas em euros e actualizadas face à inflação italiana;
A contribuição anual será paga adiantadamente cada ano, devendo a primeira, referente ao ano de 2008, ser paga até 31 de Dezembro de 2007;
Cada ano serão apresentadas as contas auditadas por entidades independentes;
As comunidades locais enviarão os seus contributos para os conselhos provinciais que as remeterão ao ICDLF;
Aprovou-se, de entre 3 diferentes propostas, o orçamento inicial do ICDLF e respectiva repartição de contribuições, por continente.

JOSÉ NUNES
Respondendo à interpelação do Conselho Nacional – o que esperam os frades dos leigos dominicanos? – o frei José Nunes dividiu a sua intervenção em duas partes :
1 – Desafios concretos
O Frei José Nunes começou por apelar a que as fraternidades vivam naturalmente a sua vocação e sejam fieis aos encontros da fraternidade, ao estudo, oração e partilha.
Viver a vocação é vivê-la também em todos os locais em que nos movemos e damos testemunho: na família, no trabalho e na sociedade.
O dominicano deverá buscar a verdade, a justiça e a dignificação da pessoa.
O dominicano deverá procurar compreender a realidade que o rodeia e, na Palavra de Deus, buscar luzes de saída, através do estudo e da oração.
2 – Missão e Pregação
Os leigos podem fazer pregação em cooperação com os outros ramos da Ordem e são chamados a aprofundar a sua vocação em Família Dominicana.
Para finalizar, o Frei José Nunes apelou à criação de um caldo de cultura dominicano e a sua transmissão a outros.

IRMÃ MARIA DOMINGOS
Sguidamente, foi a vez da Irmã Maria Domingos se dirigir à assembleia.
A Irmã Maria Domingos começou por falar que S. Domingos fundou uma Ordem de Frades, Monjas e Leigos.
Todos os ramos têm um único fundador e todos se reportam à mesma pessoa: o Mestre Geral.
Assim sendo, há uma espiritualidade comum a todos os ramos.
S. Domingos colocou as monjas em clausura, devido ao espírito da época e não a qualquer intenção.
A Irmã Maria Domingos falou da necessidade de aprofundar um projecto comum e da criação de estruturas de comunhão – e não colaboração – entre Frades, Monjas e Leigos.
Interessa fazer uma reflexão sobre aquilo que a todos diz respeito.
Há necessidade de formação, estudo, oração e conhecimento do mundo e, mais do que isso, uma definição clara do que é um pregador.
Tem de se ir mais além. As vivências têm de ser marcantes.
As vocações só surgem quando se sente que se está em sintonia com a espiritualidade dominicana.
Os Dominicanos devem mostrar aquilo que os diferencia.
Os Dominicanos devem levar Jesus Cristo aos outros e estar onde os outros estão.

JOSÉ CARLOS
Após um intervalo para respirarmos fundo e nos alimentarmos, recebemos, como se um digestivo se tratasse, a intervenção do José Carlos.
Este efectuou uma intervenção de sete páginas de que aqui se faz um resumo muito resumido, subordinado ao tema Fraternidades Leigas de S. Domingos: Pertença e Missão.
Começou por referir que ser dominicano, pertencer à Ordem dos Pregadores, implica pois não só um caloroso e confortável sentimento de pertença, mas também a partilha de uma responsabilidade comum que é, pela natureza do que se entende por pregação, uma responsabilidade missionária.
As Fraternidades Leigas de S. Domingos têm uma história que mergulha no espírito do seu fundador, S. Domingos de Gusmão.
O reconhecimento dessa história e a identificação com ela, faz com que os membros das Fraternidades se digam Dominicanos.
A realidade das Fraternidades é tecida a partir do reconhecimento mútuo de fidelidade ao carisma dominicano e de lealdade ao grupo.
Por outro lado, se as Fraternidades Leigas não se abrirem às exigências do exterior, tornam-se inviáveis.
Para que a mudança ocorra, é necessário que as fronteiras que limitam o grupo se tornem mais maleáveis.
Contudo, se as fronteiras são demasiado permeáveis, o grupo dilui-se; se as fronteiras são demasiado impermeáveis e não permitem a troca com o exterior, a Fraternidade acaba por sufocar.
Ordem dos Pregadores encerra em si esta dupla dimensão: este equilíbrio dinâmico entre a acentuação da nossa identidade, da nossa organização interna, traduzida nas Constituições, na Regra de Vida, e consubstanciada na palavra Ordem; e, por outro lado, a missão que justifica a existência dessa ordem, o seu complemento directo, a Pregação.
Ordem acentua a vertente interna, a identidade, a raiz.
Pregação a vertente externa, o partir, a missão.
O escudo dominicano pode ser visto como símbolo da Ordem. Como escudo é estático e a sua função é a defesa, a manutenção da integridade do grupo, da sua coesão interna.
O cão que transporta o facho a arder simboliza a Pregação. É feito de graça e movimento e dinâmico. Vai a correr entusiasmado com a sua missão: inflamar o mundo com o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo.
Estes dois símbolos sintetizam a pertença e a missão dominicana que são realidades complementares, que não podem existir uma sem a outra, duas facetas necessárias e imprescindíveis da mesma realidade. É a missão específica da Ordem, isto é, a Pregação, que vira para fora e lhe permite respirar.

O encontro com esta forma participada e de reflexão resultou num fim-de-semana muito proveitoso e do qual se espera que venham a resultar frutos, para os leigos e para toda a Família dominicana, bem como na Missão que a todos nos anima: a pregação da Palavra de Jesus Cristo.

Por Cristina Busto e José António Caimoto

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